Com uma praça renovada por pano de fundo e com o Infante um pouco lateralizado em relação à centralidade que ocupava em tempo anterior, a cerimónia revestiu-se de alguma pompa com a Marinha a marcar presença, com o Executivo em permanência, com membros da Assembleia Municipal, com algumas turmas de escolas que se quiseram associar e com alguns membros da população que não quiseram faltar. Por entre a guarda da honra que a Marinha fez questão de ali prestar, chegou o momento das intervenções que constituíram um ponto alto desta homenagem à figura do Infante que, ali, na sua praça, se lhe estava a prestar. A primeira, a cargo de um elemento destacado da Marinha, o Comandante da Zona Marítima do Sul, Marques Ferreira, fez questão de destacar a proeza do Infante ao desbravar esse mar desconhecido e ao abrir o caminho aos descobrimentos que constituíram a página mais fascinante da história de Portugal e com repercussões ineludíveis na história universal. A segunda intervenção, a cargo do Presidente da Câmara, destacou as qualidades dessa figura austera que, como grande empreendedor, foi capaz de olhar bem mais para longe do seu tempo e do seu espaço. No que ao espaço diz respeito, foi capaz de, através do seu poder de observação e da sua capacidade empresarial, montar uma verdadeira frota naval. E esta, a partir de terras de Lagos, meteu-se por esse oceano distante e abriu novas rotas e novos caminhos. No que ao tempo diz respeito, a figura do Infante viu, por antecipação, estes tempos de globalização. No dias de hoje, fazem-se através de caminhos virtuais. Nesses tempos, ainda sem as tecnologias de hoje, eram bem mais reais.
A apresentação do programa das celebrações dos 550 Anos da Morte do Infante
E como o ano de 2010 é o das celebrações dos 550 Anos da Morte do Infante, um programa alargado começa a ser preparado para essa data cheia de simbolismo. E para a sua apresentação, a Biblioteca Municipal foi o local escolhido para se anunciar o programa que vai estar na origem dessa celebração. Como se trata de um programa alargado às Terras do Infante e ao qual a Batalha também é chamada a participar, e contando ainda com a parceria do Jornal Correio de Lagos para lhe dar sequência, sobretudo em termos de divulgação, a mesa foi composta pelo Presidente da Câmara de Lagos, que presidiu à sessão na sua qualidade de Presidente da Associação Intermunicipal das Terras do Infante, pelo Presidente da Câmara de Vila do Bispo e pelo Vice-Presidente da Câmara Municipal de Aljezur. Por motivo de força maior, a Câmara da Batalha não pode estar presente mas manifestou o seu assentimento com o programa a apresentar e com a forma de o implementar. Quer o Presidente da Câmara de Lagos, quer os demais que o secundaram, fizeram questão de enaltecer essa figura maior que dá pelo nome de Henrique, o Navegador. E, realmente, destas terras que estão na origem das descobertas, começou esse empreendimento, que ainda urge continuar, de aproximar povos, culturas e civilizações. No que ao programa diz respeito, este será encabeçado por uma comissão de honra que contém figuras de primeiro plano a nível nacional. A primeira, o Presidente da República, já foi contactada a título informal segundo nos revelaria, ali na conferência da imprensa, o Presidente da Câmara Municipal. E a maior teve a ver com a revelação de um concerto original sob o tema “Suite das Descobertas” que a Câmara Municipal encomendou ao maestro Armando Mota.. Por entre estas e outras revelações, a que mais acabou por percorrer aquela sessão teve a ver com a estrutura dessas comemorações que se vão iniciar no Mosteiro da Batalha, com uma homenagem junto ao túmulo do Infante, e com a abertura das Jornadas Henriquinas, que se vão iniciar a 11 de Novembro do próximo ano. Têm continuação, no dia seguinte, em Aljezur, com uma recepção de boas vindas, a inauguração de uma estátua ao Infante e com a continuação das mesmas jornadas. A 13 de Novembro, dia da Morte do Infante, as cerimónias iniciar-se-ão na Câmara Municipal de Vila do Bispo, com uma sessão de boas vindas. Têm continuação, em Sagres, com a deposição de uma coroa de flores junto à estátua do Infante e com a continuação das Jornadas Henriquinas. No mesmo dia, haverá uma missa solene, em memória do Infante, na Igreja de Santa Maria, em Lagos. No dia 14, também em Lagos, terá lugar a sessão de encerramento. E como este não será um programa fechado, procurar-se-á a participação da população através de iniciativas desportivas, “Na rota do Infante”, de actividades junto da população escolar e junto dos habitantes das Terras do Infante, com excursões periódicas ao Mosteiro da Batalha para melhor o conhecer e percorrer os seus passos. Apresentado o programa, continuam-se a dar passos seguros para a sua concretização e para que o ano de 2010 possa constituir um ano em que estas comemorações sejam um acontecimento marcante nestas terras designadas por “Terras do Infante”. Com estas e outras palavras, que ficaram a marcar estas intervenções, a cerimónia prosseguiu com uma cora de flores que foi colocada junto ao monumento reposicionado do Infante D. Henrique.
A continuação da evocação junto à lápide da antiga Igreja de Santa Maria
No alto de São José, ali ao lado da Porta da Vila, ainda é possível ver a configuração desse adro onde outrora se levantou a Igreja de Santa Maria. Mas devido ao terramoto que, em 1755, assolou a cidade e quase a devastou por completo, nem essa Igreja ficou de pé. E o seu interior serviu para se efectuar as exéquias ao Infante depois deste falecer na sua Vila de Sagres. Também aí viria a encontrar a sua primeira sepultura antes de se transladar para o Mosteiro da Batalha. E como já não se encontram quaisquer vestígios dessa Igreja, a não ser os muros que continuam a suportar o que fora o seu adro, num deles foi colocada uma lápide a relembrar que aí existiu a antiga Igreja de Santa Maria onde se viria a sepultar o Infante antes da sua transladação para o Mosteiro da Batalha. Foi defronte dessa lápide, na chamada rua do Adro, que a cerimónia continuou e que o Infante se evocou. A primeira a tomar a palavra foi a Vice-Presidente da Câmara para ressaltar o papel da educação de D. Filipa de Lencastre, mãe do Infante, e que foi determinada para a Ínclita Geração. Graças a essa educação e a essa mão feminina, foi possível deparar com uma figura como a que se estava a homenagear. Rui Loureiro, no seu papel de historiador, ressaltou o conhecimento que o Infante possuía, a sua capacidade empresarial e a forma como, a partir de Lagos, foi capaz de organizar expedições que lhe deram riqueza e que possibilitaram verdadeiros encontros de culturas, de povos e civilizações. José Paula Borba, com o seu sentido de oportunidade, leu um texto que fazia alusão, após a morte do Infante, em Sagres, à sua transladação para a Igreja de Santa Maria, às exéquias que, então, tiveram lugar e à sua sepultura, no interior da própria Igreja, antes de se transladar para o Mosteiro da Batalha. Lido o texto, foi depositado um ramo de flores junto a essa lápide que continua a anunciar que esse espaço, quando detinha um templo religioso, foi o primeiro a servir de sepultura a essa figura que está na origem das navegações que abriram novos mundos aos mundo. |