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Inauguração da Fonte Cibernética e do Painel de Cutileiro
Correio de Lagos | 21-12-2009
Bem se poderá dizer que esta constituiu a verdadeira inauguração da Esplanada do Infante e do Jardim da Constituição. Aproveitou-se a cerimónia da comemoração dos 549 anos da Morte do Infante, celebrada a 13 de Novembro, para inaugurar a que ficou a ser conhecida como a Fonte Cibernética, do lado da Esplanada do Infante, e por um painel de João Cutileiro do lado do Jardim da Constituição.

A cerimónia contou com os vereadores da Câmara Municipal, com membros da Assembleia Municipal, com técnicos da obra em si, com elementos da Marinha que aí se haviam deslocado para participar na Comemoração da Morte do Infante, com público em geral, com a participação de algumas turmas das escolas que aí se deslocaram e com alguns turistas que ocasionalmente por ali passaram. Feitas as alocuções naquele acto solene, vir-se-ia a dizer que aquela obra se integra no programa POLIS que pretendeu renovar parte da frente ribeirinha e outros pontos da cidade de Lagos. E no que a estes diz respeito, é conveniente relembrar que o programa POLIS começou por renovar toda a zona de São José que vai da rua Castelo dos Governadores até às imediações da Porta da Vila. Essa zona deprimida em termos de infra-estruturas e de população, sofreu uma profunda remodelação. Outro dos núcleos do POLIS, teve a ver com o Parque da Cidade. A sua primeira fase teve expressão na face exterior da Porta da Vila até à Estrada da Ponta da Piedade. A segunda fase, na face exterior da Praça d’Armas, seguiu o corredor da muralha até à Porta do Quartos.
E esta intervenção, na Praça do Infante e Jardim da Constituição, constitui a terceira fase desse POLIS que veio renovar partes significativas da cidade de Lagos. Mas se as anteriores e o Jardim da Constituição foram suficientemente pacíficas, já a da Esplanada do Infante, logo na fase da sua discussão, levantou um monte de críticas e alguma contestação  que obrigou a uma remodelação do próprio projecto. Mas mesmo depois de remodelado não se livrou de ser o projecto mais polémico que, nos últimos anos, teve lugar em Lagos. Mas por entre todas as polémicas que se levantaram no ar, dizia-se, com frequência, que era preciso esperar para ver. E embora muitos torcessem o nariz à medida que as obras iam avançando, havia sempre a esperança de que tudo iria melhorando conforme as obras se começavam a aproximar do seu termo.
E, finalmente, ainda sem tudo por acabar, nesse 13 de Novembro, com a inauguração da Fonte Cibernética, já deu para ficar com a impressão da sua face definitiva. Mas antes dessa impressão, ainda é tempo de nos atermos a alguns pormenores dessa inauguração. Uns dizem respeito aos repuxos da fonte sem força para subir e a um caudal deveras reduzido para alimentar aquele pequeno lago que ali fora criado. A areia que, ao fundo, pretende criar a sensação de praia e de mar, praticamente não se cobria. E quase sem água naquele primeiro dia, os repuxos lá ficaram a mostrar a pouca força que têm para fazerem a água subir e para que a envolvente se pudesse reflectir no lago que nasceria daqueles repuxos.
Já com a cerimónia a aproximar-se do fim, quem olhava da Avenida ficava com a impressão de uma grande extensão nua e demasiado despida na aridez de um branco amarelecido. E no meio desta impressão, provocada por essa extensão árida e deserta, começamos a perguntar a alguns curiosos o que estariam a pensar. E a maioria sentia alguma dificuldade em emitir uma opinião, embora falassem em desconforto e em sensação algo estranha. Continuavam dizendo sentir satisfação pela limpeza em torno da antiga esplanada do “Rosas”.  Mas no que a transladação do Infante diz respeito e à fonte construída diante de si, sentiam a sensação que essa não teria sido a melhor solução. Mas podia ser que se fossem habituando e que, com tudo o que ainda há por fazer, que aquele conjunto pudesse ainda vir a melhorar.
Com estes e outros comentários que acabaram por nos chegar, esta obra, envolta em alguma polémica antes de começar, vai continuar a levantar os maiores reparos, algumas contestações, bastantes apreensões e até aprovações em torno de todos os que, nos próximos tempos, se debruçarem sobre ela. Todo o desconforto que possa provocar e até essa sensação de imenso mausoléu que pode criar, é possível que se venha a esbater quando o parque estiver terminado, as esplanadas começarem a funcionar e tudo possa dar ambiência diferente a todo aquele conjunto. E, para isso, ter-se-á de esperar até ao Verão para ver qual vai ser a impressão final desta intervenção.

O Painel de João Cutileiro

O tríptico de João Cutileiro, voltado para a muralha, retrata a queda do império português com a batalha de Alcácer-Quibir. Aí, de costas para a avenida, parecia meio escondido e a sua envolvente dava-lhe um aspecto algo deprimente. Com um pequeno lago onde a água há muito secara e onde a terra, pedras e algum lixo se amontoaram, requeria alguma intervenção e, sobretudo, que as suas costas, a sua face mais visível, merecesse também uma outra intervenção. Foi o que ocorreu à Câmara Municipal no meio das obras do Jardim da Constituição. Falando com o autor, acabaria por lhe propor um novo painel nas costas do de Alcácer-Quibir. Depois de pensar, João Cutileiro decidiu-se por um novo painel subordinado ao tema “Lagos e o Mar”. E aí se encontra a funcionar, a par do antigo cais das Porta do Mar, como um dos elementos mais simbólicos do novo Jardim da Constituição. Mas mais do que a inauguração deste jardim, apenas se inaugurou o novo painel de João Cutileiro. Com o seu toque ineludível, aí está o mar com o símbolo dos dias de hoje que, de acordo com João Cutileiro, o serve para identificar.Quanto ao restante conjunto daquele jardim, tratou-se de uma renovação ali defronte do mar ao dar-se-lhe uma nova apresentação e uma redistribuição dos seus elementos mais simbólicos como foi o caso do brasão e da estátua de Gil Eanes. Mas a grande novidade está no pôr a descoberto o seu cais. Apesar de alguns trabalhos em torno do cais ainda não terem terminado, o Jardim, em si, já se pode dar por concluído. E, por isso, a inauguração do painel de João Cutileiro serviu para abrir oficialmente o Jardim da Constituição à população que, diariamente, já o percorre.

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