O arquitecto Santa Rita era um técnico da Câmara que aí trabalhou durante décadas a fio. Apesar de se ter reformado e enveredado por outros caminhos continua a ser visto como um técnico da Câmara ou já está livre dessa imagem?
Como técnico da Câmara de Lagos, decorridos dez meses sobre a minha saída, julgo que já ninguém me vê como tal. Como técnico que trabalhou numa Câmara durante trinta anos, sim, e, por isso, procuram-me para ouvir opinião, analisar e, se for o caso disso, mediar questões técnicas e regulamentares, não só em Lagos como nos municípios vizinhos.
Depois de se reformar pouco tempo teve para se dedicar aos seus hobbys preferidos, como a escrita. Continua a escrever ou já não tem tempo para exprimir o seu pensamento?
Nunca escrevi com regularidade e foi só por volta dos quarenta anos de idade que me atrevi a dar à estampa alguns textos, por sinal no Correio de Lagos. Foram o “Abecedário” e o “Marco do Correio”. Há uns meses, escrevi um conto e li-o nas Escolas Primárias do Concelho no decorrer da “Semana da Leitura”.
À partida, parecia nada ter a ver com o mundo da política. O que é que o fez entrar por estes caminhos?
Pura e simplesmente, um convite e também a oportunidade que me foi dada de retribuir o que considero que devia a Lagos e à Luz, onde fui bem recebido e, sempre, bem tratado.
Mas a sua personalidade não parece talhada para intervir e comandar as hostes que estão sob o seu comando. Como é que consegue compensar esse problema pessoal?
Não me parece que a Junta de Freguesia seja arraial ou campo de batalha. Não tenho que comandar hostes.
Quando tem de dizer que não, assume essa posição com frontalidade ou tem dificuldade em marcar a sua posição?
O “não” a que se referirá tem uma conotação negativa, constituirá um corte definitivo. Repare na frase corrente: “Não! Ponto final, não se pensa mais nisso!” Eu prefiro continuar a pensar”.
As reuniões a que preside, como as da Junta de Freguesia, são assumidas e dirigidas a pulso por si ou procura uma solução colegial e bastante mais consensual?
Das respostas anteriores se concluirá que procuro o consenso, o que é fácil, uma vez que os meus companheiros autarcas (a secretária e o tesoureiro) pensam e procedem do mesmo modo.
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