Poder-se-á dizer que José Manuel Amarelinho era um Presidente anunciado muito antes ainda de o ser. Mais do que o facto de ser vice-Presidente da Câmara, era a sua forma de estar, de se relacionar e desempenhar a sua missão. E se a isto juntarmos a presidência do PS de Aljezur, as suas relações na distrital e, sobretudo, o facto de se impor como uma figura consensual, então não havia dúvida nenhuma que era já Presidente por antecipação. Apesar de todos estes predicados, a sua indigitação não foi, propriamente, um mar de rosas ou um passeio sem escolho nenhum. Mas José Amarelinho até a dificuldade superou com aprumo, determinação e com a dignidade que faz parte da sua cartilha de vida. E, assim, foi conquistando o coração da população e deu azo a um processo de transição em que ninguém saiu molestado e em que, inclusive, se faz do passado um património para construir o futuro. Com este lastro por pano de fundo, agora é hora de José Amarelinho. E são muitos os olhos postos em si por deter um capital político invulgar e por alimentar muitas esperanças entre a população de Aljezur. Consciente da confiança que em si é depositada e valendo-se da sua experiência de autarca, está a agarrar com força e determinação os principais problemas de Aljezur entre os quais o da formação. Conforme nos faz questão de dizer, tudo fará para que os cursos de formação profissional, com equiparação ao 12º ano, se possam trazer para Aljezur. É que sem formação ligada às empresas locais e que dê alento e um novo sopro de vida às actividades económicas, a juventude começara a sair e, desta forma, o concelho perde o bem mais precioso que deverá continuar no seu interior. Com este propósito e com outras prioridades que também faz questão de cultivar, o novo Presidente da Câmara vai privilegiar a via do diálogo e a negociação, mas com arrojo e determinação para levar a água ao seu moinho. Mas para melhor se conhecer toda a linha de acção e as prioridades a estarem presentes na sua gestão, o melhor é percorrer as páginas desta entrevista.
CORREIO DE LAGOS – A sua ascensão à Presidência da Câmara Municipal de Aljezur deu a sensação de se tratar de um processo fácil e natural. Tudo aconteceu mais rapidamente do que o que estava a pensar ou chegou dentro do tempo idealizado por si?
PRESIDENTE DA CÂMARA DE ALJEZUR – Não idealizei qualquer processo nem estipulei qualquer timing para chegar à Presidência da Câmara de Aljezur. Tudo acaba por acontecer de uma forma natural e espontânea. Essa possibilidade abriu-se-me no dia em que Manuel Marreiros decidiu que não se iria recandidatar. Após essa decisão, como era Presidente da Comissão Política Local do PS e Vice-Presidente da Câmara Municipal, as atenções voltaram-se, com alguma naturalidade, para a minha pessoa. No fundo, este trabalho de equipa que vínhamos desenvolvendo ia ser continuado. Já detinha, em meu poder, grandes pastas e dossiers relacionados com o planeamento e ordenamento do território, como era o caso de Vale da Telha e do Espartal, que me davam todo um lastro de experiência capaz de possibilitar essa continuidade do trabalho desenvolvido. Por isso, houve um grande consenso e até unanimidade em torno da minha escolha. Como poderá compreender, procurei conversar com muitas pessoas e com diversas sensibilidades da comunidade aljezurense. Senti um enorme apoio praticamente de toda sociedade civil. Aceitei, por isso, com naturalidade este desafio. Em face do que vi e do que senti, obtivemos esta grande vitória.
C. de L. - De acordo com algumas vozes que se fizeram ouvir, ter-se-á apoderado de Manuel Marreiros alguma nostalgia ao ponto de, depois de ter anunciado a sua decisão de não se recandidatar, ter manifestado vontade de continuar. Este volte face de última hora tem alguma veracidade ou não passa de meros rumores?
J. A. - Não passa de meros rumores. Trata-se de especulações que sempre acontecem em processo desta natureza. Posso assegurar que Manuel Marreiros disse, de uma forma clara e inequívoca, que não se iria recandidatar. Quando as transições se fazem de forma tranquila, séria e pacífica, há quem comece a desconfiar pelo facto de tudo ser fácil demais. Por mais que se queira encontrar casos para explorar, este da sucessão, em Aljezur, não sofreu qualquer percalço nem foi motivo de qualquer controvérsia. É verdade que Aljezur tem um passado cheio de casos. Mas neste caso, tudo se passou com naturalidade e dentro da maior cordialidade. E como não houve caso nenhum, tinham que inventar algum. A nossa vitória é feita de uma transição pacífica, natural e sem quaisquer casos.
C. de L. - Quando foi indigitado para suceder a Manuel Marreiros, alguma vez pensou que viesse a obter tamanha vitória?
P.C.A. - Confesso que estava à espera de um bom resultado. Estava em causa o sufrágio do trabalho e de uma obra de quatro anos. No que ao trabalho diz respeito, a obra estava à vista de todos. Como Vice-Presidente da Câmara, contribui muito para que isso acontecesse. No que à confiança diz respeito, nos oito anos que aqui estive, ao lado de Manuel Marreiros, estabeleci uma relação com as pessoas que se foi cimentando e que foi revelando o meu trabalho de procura das melhores soluções para a vida de Aljezur. E como todos podiam observar, a minha dedicação e o meu empenho à causa pública, a Aljezur e às suas gentes, era total. E, por isso, a confiança em mim depositada teve uma grande expressão no dia da votação. Estou muito grato a todas as pessoas de Aljezur.
C. de L. - Depois do seu antecessor ter permanecido vinte anos no poder, é natural que a sua marca acabe por continuar. A presença de Manuel Marreiros, na presidência da Assembleia Municipal, vai funcionar como uma sombra que acabará por o condicionar ou como um incentivo para desbravar o seu próprio caminho?
P.C.A. - Formamos uma equipa. Foi com essa ideia que partimos para este projecto. Eu assumiria a candidatura à Câmara Municipal e Manuel Marreiros assumiria a candidatura à Assembleia Municipal. Apesar de alguns espíritos mais cépticos e de algumas vozes procurarem divulgar o contrário, tudo isto foi pensado, agilizado e, desta forma, posto em prática. A presença de Manuel Marreiros, enquanto Presidente da Assembleia Municipal, é uma mais valia para este executivo. Este era o projecto e esta foi a vontade de ambos e de todos quantos pertencem a esta equipa.
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