Foi uma das novidades das últimas legislativas. Seria difícil alguém pensar que Artur Rego pudesse vir a ocupar uma cadeira na Assembleia da República. A favor desta convicção estava o facto do CDS/PP nunca ter metido nenhum deputado por esta região. E o agora deputado de Lagos, com as dificuldades que eram conhecidas e com os partidos do poder em lutas renhidas, era difícil a qualquer personalidade quebrar a tradição e, pelo CDS/PP, assegurar a sua eleição. Contra este pensar, Paulo Portas, com alguns slogans e com um estilo bem peculiar, começou a quebrar as barreiras da bipolarização e fez com que o seu partido penetrasse em franjas não habituais da população. Aconteceu pelo Algarve adiante e por outros pontos do país onde o CDS/PP não era uma força habituada a eleger qualquer representante seu. Com esta subida, em parte esperada do partido de Portas, os candidatos acabaram por lhe juntar aquela mais valia que acabou por entusiasmar os eleitores mais próximos. E com toda esta conjugação de factores, muitos deputados acabaram por se eleger sem estarem a contar e este partido acabou por ocupar, inesperadamente, o terceiro lugar no nosso espectro político a nível nacional. Artur Rego, com uma passagem relâmpago pela política de Lagos, acabou por beneficiar desta conjuntura. A seu favor, tem o facto de ter sabido arriscar e de se encontrar no sítio devido quando este sentido ascendente dos populares se iniciou e culminou na eleição de quem abraçou este projecto com muita ou pouca convicção. E, agora, tentará captar todo um capital de experiência para abraçar outros projectos. E, um deles, depois desta experiência no parlamento nacional, é bem possível que passe pelas teias do poder local. Mas o partido que Rego representa não é um partido de poder, em Lagos. Por isso, ter-se-á de engendrar uma outra arquitectura política que possa criar condições de, a nível local, disputar eleições com um mínimo de sucesso. E Artur Rego terá todo o interesse em começar a preparar esse tempo novo da política, para si, em Lagos. E esta bem poderá passar por encabeçar uma coligação para disputar a Presidência da Câmara de Lagos. Ora, como Júlio Barroso não vai continuar e como o seu opositor, depois da pesada derrota sofrida, não tem condições para continuar, as condições começam a estar a favor de Artur Rego. Todo este jogo que vai acontecer daqui em diante e que tem a ver com a preparação das próximas autárquicas a, par do trabalho que está a desenvolver na Assembleia da República, fazem parte desta entrevista. Por isso, é um convite a percorrer, com detalhe, tudo o que tem para nos dizer.
CORREIO DE LAGOS – A sua eleição como deputado do CDS/PP, pelo ciclo eleitoral do Algarve, apanhou-o completamente de surpresa ou quando o convidaram considerou logo essa hipótese como sendo plausível?
ARTUR REGO – É verdade que, quando fui convidado, não tinha grande expectativa de vir a ser eleito. Entrei, pura e simplesmente, porque entendi que era um projecto interessante e que era um momento importante para o país e para o partido. Como se tratava de afirmar estas duas realidades, decidi aceitar. Digamos que, o facto de ter conseguido ser eleito, foi uma espécie de bónus para o trabalho realizado.
C. de L. - Pode-se-á então dizer que quando aceitou encabeçar essa lista de candidatos, fê-lo mais por uma questão de prestígio do que, propriamente, por sentir que poderia vir a ser eleito.
A. R. - Não foi por prestígio. Nunca andei atrás desse tipo de coisas. Não foi para ser candidato ou cabeça de lista que tenho andado a trabalhar já há alguns anos. É verdade que me senti honrado e prestigiado quando fui convidado. Mas, repito, não foi por uma questão de prestígio pessoal. Essa não é a minha motivação.
|