Foi uma surpresa para quem segue com alguma atenção o fenómeno político de Lagos ver a inclusão do nome de Livónia Xavier nas listas para a Câmara Municipal. Era certo que aparecia em quinta posição, uma situação que, em circunstâncias normais, não lhe asseguraria a eleição e o consequente lugar de vereador. Mas dadas as circunstância excepcionais de umas eleições como estas, com um candidato da oposição a levantar constantes focos de contestação em seu redor, era possível que o PS ultrapasse qualquer fasquia que era conhecida nos nossos tempos de democracia. E assim aconteceu com a força política do poder, mesmo com alguns anti-corpos a vencer por margem bem contundente. É verdade que não foi o nome de Livónia Xavier que provocou esta ascensão. Mas como fazia parte do grupo, mesmo em quinto lugar, assegurou a sua eleição. E mais do que chegar a vereadora, a dificuldade foi passar a integrar as listas da Câmara. Mas como a indicação que deu não era do agrado do Presidente, este decidiu recrutar o resto dos candidatos no seu alfobre da FUTURLAGOS. De uma assentada trouxe os dois nomes que deveriam ficar pois a equipa de vereadores anteriores era para continuar. E, assim, Livónia Xavier, por força das cotas femininas, foi a que ocupou o quinto lugar seguindo-se-lhe Carlos Albuquerque que lhe vem a seguir. Dado o perfil da candidata, tudo começou a apontar para que o lugar de vereadora de Livónia Xavier não era para levar até ao fim. A meio do mandato, deveria dar lugar a Carlos Albuquerque para este mais se familiarizar com os assuntos da Câmara a fim de suceder a Júlio Barroso. Este cenário que se começou a traçar, causou algum mal estar no próprio interior do PS. Com alguma divisão entre a Assembleia Municipal, afecta ao PS de Paulo Morgado, e a Câmara Municipal, afecta à hegemonia de Júlio Barroso, tudo se começou a diluir e, agora, o problema já quase não se faz sentir. Por entre estas questões que são tabú em discussões ou abordagens políticas, quisemos conhecer melhor a personalidade de Livónia Xavier. E numa entrevista simples e sem qualquer pretensão, a nossa entrevistada mostrou, por entre alguns monossílabos, compostos posteriormente, que falava com o coração. As suas origens simples, que fez questão de enfatizar, e alguma ingenuidade que não quis esconder, deram-nos alguns traços da sua personalidade que foi construindo à base de auto-didatismo e abrindo o seu próprio caminho através da contabilidade até ao momento em que Júlio Barroso, o seu patrono político, a decide chamar e integrar no mundo da política de Lagos. E ela aí está pela sua mão a inaugurar uma experiência que, com alguma ingenuidade, diz querer levar até ao fim a não ser que não consiga responder. É esta forma simples, mesmo que posteriormente elaborada, que a entrevista deixa transparecer e que a entrevistada se dá a conhecer. Por isso, vale a pena perder algum tempo com a sua leitura.
C. de L. - Livónia Xavier era uma pessoa relativamente desconhecida que, de um momento para o outro, aparece em lugares políticos de algum relevo. Como é que se deu essa sua ascensão ou, se quiser, a sua aparição no mundo da política?
Livónia Xavier – Tratou-se de uma aparição natural. O Dr. Júlio Barroso fez-me um convite, logo no decurso da sua primeira candidatura para integrar a sua lista para a Câmara e, naturalmente, aceitei. Não há aqui nada de extraordinário.
C. de L. - Costuma-se dizer que, para se aceder a um cargo político, é preciso estar-se no lugar certo. Em que lugar é que estava para que esse chamamento político lhe batesse à porta?
V. L. X. - Não estava em nenhum lugar. Andava na minha vida normal. E, como já referi, esse convite surgiu e aceitei-o com toda a naturalidade.
C. de L. - Já estava no mundo da política?
V. L. X. - Não. Nunca tinha tido qualquer ligação à política. Apenas fazia a minha vida diária, primeiro, na escola, depois no associativismo e na minha vida profissional. Através do meu percurso de vida, fui várias vezes delegada de turma e sócia fundadora do Moto Clube de Lagos.
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