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| Os aterros do sapal da Meia Praia |
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Correio de Lagos | 01-02-2010 |
Uma grande urbanização está a nascer em frente do Hotel Vila Galé. Com os tapumes já no ar, grandes movimentos de terras por aí se tem vindo a erguer para soterrar aquele imenso sapal que aí ainda existia.
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É verdade que já fora cortado por arruamentos de uma urbanização anterior e que, ainda antes de aparecer, sucumbiu para dar lugar à que se acabara de aprovar dentro do âmbito dos novos projectos para a Meia Praia. Agora com a nova urbanização, de características turísticas, a aparecer, o seu relevo tem-se vindo a alterar. Há meses que sucessivos camiões ai descarregam montanhas de terra para o solo se erguer e impermeabilizar aquele sapal irrigado por constantes canais e onde a vegetação ostentava essa aparência bem típica. Devido à terra se começar a erguer, as características do sapal começaram a desaparecer bem como a configuração paisagística daquela espécie de reserva do início da Meia Praia. Em face dessas elevações, muitas foram as interrogações que se começaram a levantar. Umas apontavam para essas terras no ar como forma de elevação das respectivas cotas de soleira e alteração do próprio relevo. Outras apontavam para as silhuetas da cidade que se começavam a perder em face de tudo o que se estaria a fazer. E ainda outros perguntavam-se se essas elevações seriam compatíveis com o ambiente que é necessário preservar e com as características paisagísticas que não se poderiam alterar. Em face do que aí se via, alguma explicação poder-se-ia encontrar ao fundo da Meia Praia quando o golfe dos Palmares começou a descer a colina e a instalar-se na planície que, após o apeadeiro, acompanha parte da linha. Também lá se ergueram grandes montanhas de terra que, numa primeira fase, pareciam formar uma espécie de cratera lunar para, depois, começarem a desaparecer. Foi o que aconteceu quando essas montanhas de terra se começaram a espalhar e a dar lugar aos espaços de golfe que vieram preencher aquela planície que ficava bem abaixo da linha. Agora já subiu mas deixou de ver essas montanhas erguidas no ar. Situação algo semelhante se vai passar com essa urbanização que percorre parte da linha, desde a Duna, quase até à estação. Esse vasto sapal está a ser soterrado e a sua cota de soleira vai subir para que a água salgada não se possa infiltrar em tudo o que aí se vai construir. É por isso que, parte dessas montanhas de terra que ainda se erguem no ar começam a deixar de se ver. E o motivo é estarem a ser espalhadas ao longo do terreno que integra a urbanização para ficar mais alteado e evitar qualquer infiltração. Mas esses aterros parecem altos demais para quem percorre a linha e os vê acompanhá-la dando a impressão que essa será a sua futura configuração. É possível que essa terra ainda se venha a espalhar para não ficar, ao contrário do que antes sucedia, em posição bem mais alta que o comboio. Seria configuração que agressiva demais e, a coberto do aterro do sapal, provocar-se-ia uma alteração que não seria normal. |
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