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| Porque motivo estarão os grandes investidores a abandonar Lagos?!... |
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Correio de Lagos | 01-02-2010 |
Qualquer cidade, qualquer região ou qualquer país para crescer, para se valorizar ou para se desenvolver terá que contar com investimento. A consciência da sua importância tem feito com que autoridades e políticos de nomeada tudo façam para a acolher e, em momentos de crise, desencadeiem programas de sensibilização que funcionem, através de incentivos, como motivos de atracção.
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Basta percorrer alguns organismos governamentais que tudo têm vindo a fazer para que o investimento funcione como a alavanca da nossas economia e transporte consigo outro alento e traga outra esperança ao nosso dia a dia. Dir-se-à também que a sua necessidade premente não nos pode colocar numa atitude de mera submissão que nos possa fazer perder e própria identificação. Seria o caso de, a troco de um investimento qualquer, se hipotecar a identidade de uma cidade como a de Lagos. Há determinados parâmetros que é preciso respeitar e que o investimento os deve valorizar. E, para isso, além da legislação, deverá haver um diálogo saudável e frutuoso que tenha como destinatário a prossecução do bem comum. E este não poderá por em causa princípios ambientais, urbanísticos, ecológicos e outros mais. Mas para não os hipotecar, é fundamental que este diálogo se possa implementar. Baseada em regras claras pelas quais todos se devem seguir, não devem dar lugar a equívocos que nos possam vir a confundir. É por isso que, a par de todos os instrumentos legais como planos directores municipais e todos os que tenham a ver com urbanização, esses diálogos devem pressupor a existência de equipas técnicas que dêem as suas orientações para que os investidores não fiquem sujeitos a constantes flutuações. Pelo país adiante, há câmaras com uma linha de orientação que tudo fazem para que os projectos de qualquer investidor não caiam nas teias da indefinição. Após lhes darem o enquadramento legal devido e depois desse diálogo encetado para se saber o que se pode fazer e as linhas de orientação que respeitem a identidade da própria localidade, passa-se à elaboração do próprio projecto. E este, em vez de andar durante anos a fazer marcha atrás, após o tempo da sua elaboração não ultrapassa alguns meses até ver a fase da sua aprovação. Sem esse diálogo que é urgente implementar, qualquer investidor sente-se meio perdido nas malhas de uma burocracia que praticamente o asfixia. Ao ver o tempo constantemente passar, sente que os seus investimentos são constantemente hipotecados por anos de indefinição e a sua rentabilidade vai-se esfumando sem possibilidade de qualquer compensação. É o que acontece com todos aqueles que, muito antes da crise se anunciar, desenvolviam os seus projectos e tinham-nos para aprovar. Mas as malhas da burocracia e a ausência desse diálogo sadio e transparente acabaram por tudo adiar e, passados alguns anos, esses projectos continuam remando à procura de um porto seguro que os consiga viabilizar. E, entretanto, tudo o que fora perspectivado foi, pelos ventos da história, completamente ultrapassado. Perante estes cenários de alguma indefinição, há já quem comece a fazer marcha atrás e procure outras paragens para investir ou comece a paralisar investimentos que estiveram preparados para poderem arrancar. Pela Meia Praia adiante alguns que já deviam estar no ar continuam-se a adiar. É o que se passa com a construção do novo hotel em substituição do velhinho Hotel da Meia Praia. O mesmo se poderia dizer em relação à indefinição do São Cristovão, do Golfinho ou das Torres da Torraltinha. Outros investidores também se começam a questionar se valerá esperar anos a fio enquanto sucessivas oportunidades se continuam a esfumar. Não é, de acordo com a sua percepção, muito razoável demorar alguns pares de anos à espera de uma simples aprovação. E mais ainda quando os projectos, depois de terem sido objecto de sucessivas reformulações, encontram no fim da linha sempre necessidade de se submeter a novas alterações. É verdade que, embora o investimento seja um valor a preservar, não estamos em tempo de um investidor chegar a fazer o que quer. Mesmo em tempos de crise e quando é mais necessário do que nunca cativar quem possa criar riqueza, há instrumentos legais aos quais todos se têm de submeter e linhas de orientação que todos devem acolher. O problema reside nesse diálogo que é preciso implementar e nas relações de confiança que é urgente criar. Se esse diálogo fluir com a abertura que se lhe terá de dar e com a transparência que é necessária instaurar, a confiança acabará por se ganhar e tudo, de acordo com os parâmetros normais, subordinar-se-á aos diversos trâmites processuais. Passada que seja esta fase de clarificação, não haverá lugar para mais impedimento nenhum. Os diversos projectos seguirão o seu rumo normal e percorrerão o seu caminhos, dentro de um prazo estipulado, até à sua aprovação final. Sem essa clarificação, as meias palavras perdem valor, instala-se a indefinição e quem fica penalizado é o investidor. Não admira por isso que, perante este modus operandi; muitos investidores comecem a ficar cansados e, em face da situação, partam à procura de outras localidades mesmo dentro da região. E, naturalmente, quem fica a perder é mesmo a cidade de Lagos. |
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